Um estudo de estereótipos: o que as pessoas pensam de Físicos vs. Biólogos

Títulos:  Identifying the stereotypical who, what, and why of physics and biology

Autores: Megan Bruun, Shannon Willoughby e Jessi L. Smith

Instituição do primeiro autor: Montana State University, EUA

Status: Physical Review Physics Education Research [acesso aberto]

Um problema de equidade

Por cinquenta anos, cientistas sociais têm investigado os estereótipos atuais sobre STEM (science, technology, engineering, and mathematics) usando o experimento clássico de pedir às crianças que desenhem um cientista. De quase 5.000 tentativas, apenas 28 dos desenhos descreviam cientistas do sexo feminino no experimento original dos anos 70. Embora a representação feminina no experimento de desenho e na ciência da vida real tenha melhorado desde então, o estereótipo difundido permanece, com as crianças ainda desenhando quase o dobro de cientistas do sexo masculino do que feminino. Eventos atuais reforçam a noção de que os estereótipos de gênero e sexismo estão vivos dentro da ciência, de um físico do CERN fazendo comentários sexistas (públicos) ao recente cancelamento pela NASA da primeira caminhada espacial protagonizada apenas por mulheres para a notória falta de físicas mulheres ganhadoras do Nobel. Entre as ciências, a física é notória por sua representação atrasada de mulheres e outros grupos marginalizados. De acordo com um estudo de 2014 da National Science Foundation, “quase 60% dos docentes de física nos EUA eram homens brancos. Em contraste, apenas 45% da faculdade de biologia nos EUA durante esse mesmo período eram homens brancos”. Embora existam muitos fatores complexos (e muitas vezes interligados) que influenciam essa estatística, uma faceta notável é o estereótipo do “velho homem branco” predominante na física. Conforme definido no artigo de hoje, os estereótipos “são pensamentos supergeneralizados sobre um grupo… que fornecem informações facilmente acessíveis, talvez até inescapáveis, que influenciam a forma como as pessoas pensam e se comportam”. O que as pessoas pensam sobre física e físicos afeta quem decide se juntar à nossa força de trabalho e comunidade, muitas vezes dificultando a ampla e diversificada participação na ciência. Muitas pessoas estão tentando melhorar a diversidade em STEM, especialmente em astronomia/astrofísica, com esforços como as reuniões de Astronomia Inclusiva e a força tarefa da Sociedade Astronômica Americana sobre Diversidade e Inclusão na Educação de Pós-Graduação em Astronomia. Efeitos como a ameaça de estereótipos – em que a exposição a estereótipos influencia negativamente a identidade acadêmica de uma pessoa – também afetam o desempenho em muitas métricas padrão de desempenho, como testes padronizados. Entender como o campo da física é percebido e quais estereótipos ele carrega é um dos primeiros passos para derrubar as barreiras para entrar nesse campo.

Estudando Estereótipos

Muitos estudos de ciências sociais investigaram quais estereótipos são mantidos sobre os cientistas em geral, mas nada na literatura distingue especificamente os estereótipos sobre a física. Este novo estudo de estereótipos, liderado por uma colaboração de físicos e psicólogos, se propõe a usar as ferramentas da ciência social para entender e delinear os julgamentos das pessoas sobre física, em contraste com seus pensamentos sobre biologia. O objetivo é eventualmente usar suas novas informações sobre estereótipos de física para ajudar a informar os esforços dos educadores em quebrar essas visões e incentivar uma participação mais ampla no campo. Os participantes deste estudo foram aleatoriamente designados para dar julgamentos rápidos em física ou biologia, e para avaliar certos traços do cientista (por exemplo, inteligência, atratividade, competência) e características do campo (por exemplo, requer talento natural, estressante, masculino, feminino) em uma escala de 1 a 5. Eles também foram solicitados a avaliar suas emoções sobre o campo, incluindo pena, inveja, admiração e desprezo. A amostra de perspectivas neste estudo inclui tanto o público em geral quanto os cientistas, de várias localizações geográficas (nos EUA) e diferentes estágios de carreira. Com resultados quase idênticos em toda a amostra, as respostas mostraram percepções negativas da ciência como um todo, com os físicos sendo vistos mais negativamente do que os biólogos. Então, o que faz um físico estereotipado? Comparado aos biólogos, os físicos são classificados como mais competentes, orientados para a tecnologia e desajeitados, mas menos atraentes e sociais. A física é considerada um campo em que há menos oportunidades de trabalhar e ajudar as pessoas, mas há mais oportunidades para agir individualmente. É considerado um campo difícil e muitas vezes invejado, que requer tanto um esforço maior para obter sucesso quanto um pouco de brilho inato. A física também é estereotipada como mais masculina do que a biologia. Os resultados são resumidos em formato visual nas Figuras 1-3. Esses estereótipos provavelmente não são surpreendentes, dado o reforço generalizado deles em cultura e entretenimento.

Figura 1: Estereótipos de características individuais de físicos e biólogos. Figura 1 no artigo.

Figura 2: Estereótipos das características dos campos da física e da biologia. Figura 2 no artigo.

Figura 3: Emoções para a física e biologia. Figura 3 no artigo.

Quebrando os estereótipos, mudando a cultura

Dadas as percepções negativas e excludentes da física, que mudanças podemos fazer para que os estereótipos reflitam com precisão o estado do campo e os cientistas dentro dele? Este artigo fornece algumas recomendações para quebrar os estereótipos descritos abaixo:

  • Estabelecer uma mentalidade de crescimento – Para contrariar a ideia de que a física requer brilho inato ou talento natural, os educadores e alunos devem incorporar a ideia bem documentada de cultivar uma mentalidade de crescimento – a ideia de que o esforço é valorizado e até as tarefas difíceis são possíveis com muito trabalho.
  • Aumentar a exposição a modelos – Isso pode ajudar a quebrar muitas facetas do estereótipo, mostrando cientistas como pessoas reais com interesses, habilidades, personalidades e origens variadas, que colaboram entre si. Nota – existem alguns ótimos programas que existem para ajudar a resolver este problema, como o Skype um cientista!
  • Promover um sentimento de pertencimento – Os autores sugerem incorporar atividades de sala de aula que ajudam a quebrar os estereótipos “nerds” e ajudar os alunos a se sentirem como se pertencessem. Alguns exemplos são escrever uma carta para um hipotético futuro estudante de física e outras breves tarefas de escrita de “valores afirmativos”.
  • Participe do CUWiP – Para os cursos de graduação em física, os departamentos são incentivados a participar da Conferência para Mulheres Graduandas em Física, que acontece todos os anos.
  • Saiba onde você começa – Em geral, os professores precisam reconhecer que, quando os alunos entram na sala de aula de ciências, provavelmente entram com alguma noção preconcebida e estereotipada de quem pode ter sucesso nessa área. A consciência disso pode ajudar os professores a combater proativamente os estereótipos e seus efeitos prejudiciais sobre os alunos e o ambiente de aprendizagem.

De salas de aula do ensino fundamental a conferências científicas, quebrar estereótipos em todos os níveis ajudará a trazer percepções da física de acordo com os cientistas da vida real que fazem parte dela. Essas recomendações – e, mais importante, a conscientização e o conhecimento dos estereótipos contra os quais estamos trabalhando – fazem parte de mudanças concretas para criar um futuro em física e astronomia baseado em princípios de equidade e inclusão.


Adaptado de A Study in Stereotypes: What People Think of Physicists vs. Biologists, escrito por Briley Lewis.

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