Estamos cada dia mais próximo de uma nova Terra

Título: A temperate exo-Earth around a quiet M dwarf at 3.4 parsecs

Autores: X. Bonfils, N. Astudillo-Defru, R. Diaz e colaboradores.

Instituição do primeiro autor: Univ. Grenoble Alpes, CNRS, IPAG, 38000 Grenoble, France

Status: Aceito para publicação na revista A&A, acesso aberto

A incansável busca por uma nova Terra

É curioso pensar que uma das principais áreas da astronomia moderna foi criada há pouco mais de 20 anos. O primeiro planeta fora do sistema solar (exoplaneta) foi descoberto por Michel Mayor e Didier Queloz no ano de 1995, usando a técnica de velocidades radiais, e se trata de um exoplaneta parecido com Júpiter que orbita uma estrela parecida com o nosso Sol. Além da incrível descoberta de Mayor e Queloz, um fato que chamou muita atenção é que o planeta descoberto (51 Pegasi b) orbita a sua estrela em um período de 4,2 dias e está a uma distância aproximadamente 20 vezes mais próxima da sua estrela do que a Terra. Tamanha proximidade da sua estrela hospedeira faz com que tais exoplanetas se tornem inabitáveis para as formas de vida que conhecemos na Terra, já que a temperatura do exoplaneta pode chegar a mais de 1000 graus Celcius.

De lá para cá, mais de 3500 exoplanetas já foram descobertos e existem outros 4500 que se configuram como candidatos a exoplanetas. Destes exoplanetas, a grande maioria é composta por aqueles que se assemelham a Júpiter e superterras, com massa da ordem de quatro a cinco vezes a massa da Terra. O curioso é que mesmo abundante na Galáxia, nós não temos uma superterra no nosso sistema solar.

Apenas nos últimos anos conseguimos observar exoplanetas mais parecidos (em massa e raio) com a Terra e a maior parte deles foram observados ao redor de estrelas de baixa massa, as anãs vermelhas ou anãs M. Isto é em parte consequência de que os métodos de velocidade radial e trânsito planetário se beneficiam de maiores assinaturas observacionais em estrelas de baixa massa.

A Oportunidade das Anãs Vermelhas

Anãs vermelhas são estrelas que possuem em média metade do tamanho, massa e temperatura do nosso Sol. Tais estrelas menos massivas são formadas na nossa Galáxia com uma taxa muito maior do que qualquer outro tipo estelar; além do mais, por terem baixa massa, os processos de geração de energia no seu interior ocorrem de forma mais lenta fazendo com que a estrela possua uma baixa luminosidade e que “vivam” mais que o nosso Sol. Para termos uma ideia quantitativa, de todas as estrelas muito próximas do Sol (~15 anos luz de distância), encontramos um total de 76 estrelas, das quais 50 (66%) delas são anãs M; 12 (15%) dos tipos L, T ou Y; 6 (8%) são K; 2 (3%) de tipo espectral similar ao Sol; e outras 6 (8%) mais quentes, tipos espectrais F ou A.

Com a próxima geração de super telescópios espaciais e terrestres, conseguiremos estudar com detalhes as propriedades de alguns exoplanetas e, novamente, estes estudos estarão direcionados aos exoplanetas orbitando estrelas anãs vermelhas. Existe uma discussão no meio científico de que nos próximos 20 anos só conseguiremos estudar em detalhe as atmosferas dos exoplanetas que orbitam estrelas com raio menor que 30% do raio da Terra e a uma distância de menos de 50 anos luz de nós. Isso filtra a nossa amostra apenas às estrelas anãs vermelhas, o que inclui um dos mais interessantes sistemas já descobertos do ponto de vista de habitabilidade, como TRAPPIST-1, Proxima Centauri e mais recentemente o exoplaneta Ross 128 b.

Ross 128 b, Um Exoplaneta Ameno

Ross 128 b é um exoplaneta que foi descoberto pelo método de velocidade radial e que possui uma massa da ordem de 1,4 vezes a massa da Terra. Ele é um dos exoplanetas mais próximos de nós, a apenas 10 anos luz da Terra. O que faz desta descoberta interessante são algumas das possíveis propriedades de Ross 128 b, como o seu grau de insolação (quantidade de energia recebida da estrela) muito similar à Terra e a sua temperatura de equilíbrio que é da ordem de 10 graus Celcius, além de estar no limite inferior da zona habitável da sua estrela, algo o que seria similar a Vênus comparando com o sistema solar.

Outros sistemas plenetários como Proxima Centauri e TRAPPIST-1 também possuem algumas características similares a Ross 128, no entanto, estudos recentes têm mostrado que as condições de habitabilidade nestes planetas são menores do que o suposto inicialmente, pelo fato de que as suas estrelas hospedeiras possuem um certo grau de atividade magnética que pode tornar seus exoplanetas mais nocivos à vida. Os autores do artigo de hoje discutem que a estrela Ross 128 possui um campo magnético baixo pela análise das linhas espectrais de hidrogênio (H-alfa), o que faz de Ross 128 b atualmente ser o exoplaneta que possui o maior nível de habitabilidade na nossa vizinhança.  Estudos mais detalhados sobre Ross 128 b estarão sendo desenvolvido nos próximos anos e em um futuro próximo saberemos se vamos chamar Ross 128 b de uma nova Terra. Mas uma coisa é certa, a próxima nova Terra tera como estrela mãe uma anã vermelha.

Para mais detalhes sobre esta interessante descoberta temos a matéria em português na página do ESO. Link para a matéria aqui.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s